Segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

Cada vez importamos mais para comer

Embora o sector agrícola receba de Bruxelas, desde 1983, subsídios para a sua inovação e produção, a verdade é que cada vez importamos mais. Nos últimos dez anos o sector agrícola recebeu qualquer coisa como 10 mil milhões de euros, sem que daí se vejam resultados positivos visíveis.


O estudo agora tornado público e realizado pelo Ministério da Agricultura, mostra que houve uma forte quebra na produção e na mão-de-obra, a qual registou uma diminuição de 2,5% entre 1999 e 2005, ou seja, de 502 mil trabalhadores Portugal passou a dispor de 416 mil trabalhadores no sector agrícola.


Apesar dos apoios vindos de Bruxelas, a verdade é que cada vez produzimos menos, o que nos torna cada vez mais dependentes do estrangeiro, o que nos leva a importar cada vez mais para comermos. Se no vinho, leite e produtos agrícolas somos auto-suficientes, a situação muda completamente de figura se falarmos da produção de azeite, carnes, pescas, frutas e cereais, onde dependemos muito das importações. Neste aspecto, a nossa dependência é do dobro da média europeia, no que respeita a produtos agro-alimentares. Para que se tenha uma ideia mais aproximada, refira-se que em 2004, a comunidade europeia satisfaz 75% dos nossos bens de consumo em termos agro-alimentares.


Um dos sectores mais preocupantes é o dos cereais. Segundo o estudo, neste subsector temos um auto-aproveitamento de 27,4%. Segundo o Ministro da Agricultura, Jaime Silva, Portugal não tem vocação para esta cultura e diz que “nunca deviam ter sido gastos os biliões que se gastaram na área dos cereais. Mantivemos este subsector artificialmente e hoje está mergulhado numa crise terrível”.


Por tudo isto e nas palavras de Jaime Silva, “feitas as contas, Portugal está a receber grandes quantidades de dinheiro desde 1983 e o resultado é o que se sabe. Ou seja, o país não aproveitou a oportunidade que lhe foi dada”.


Seguramente que há quem pense de modo diferente, mas manter sectores activos à base de subsídios em detrimento das leis do mercado, é que não faz qualquer sentido nos dias de hoje. Não é possível manter por muito mais tempo esta situação e a reforma da Política Agrícola Comum de 2003, deixou claro que é o mercado que regula o sector. Por isso, o Ministro da Agricultura diz que “a partir de 2013 a política de subsídios cai drasticamente e os empresários agrícolas que não se focalizarem nas necessidades dos consumidores serão simplesmente aniquilados”.


Também preocupante é o sector do vinho, onde Portugal vai ter de arrancar cerca 12 mil hectares de vinha, a partir de 2008, de acordo com uma deliberação comunitária que está a ser elaborada. Segundo o Ministro da Agricultura, há zonas no Interior onde só há vinho de má qualidade, sem qualquer espécie de qualificação. Para que este arranque da vinha se proceda, irão ser gastos entre 12 e 20 mil euros por cada hectare, em subsídios. Para o ministro, se esta proposta for apresentada aos pequenos produtores, estes abandonarão imediatamente as suas produções.


Recentemente, a comissária europeia para a Agricultura, Fisher Boel, esteve em Portugal e foi levada pelo ministro Jaime Silva a visitar o Douro, para que se apercebesse da especificidade daquela região e da sua principal produção. A ideia da comissária seria que ali também fosse arrancada a vinha, sendo substituída por outras produções. Mas, segundo o Ministro da Agricultura, “ela perceber logo que os produtos hortícolas que defendia em alternativa não podiam ali ser criados”.


Apesar de tudo, o ministro mostra-se optimista na produção do vinho: “perdemos em quantidade mas ganhámos em qualidade”. Portugal mantém o 4º lugar no “ranking” de produtores a nível europeu, onde a França é líder. Em termos mundiais, ocupamos o 6º lugar do “ranking”.


 

in “CAMPEÃO DAS PROVÍNCIAS”  -  02-11-2006  -  www.campeaoprovincias.com
publicado por José Soares às 18:28
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Fortaleza já não é o que era

Fortaleza-PraiadeIracema.JPG


O Sol irrompe cedo no quarto do hotel. São 5 horas da manhã e já está um dia cheio de Sol na Praia de Iracema, em Fortaleza, no Brasil. É o nordeste brasileiro no seu esplendor.


Do quarto, observa-se uma vista fabulosa sobre a praia, convidando os turistas ao seu pleno aproveitamento. Passear na praia pode ser. Tomar banho, nem pensar. Todos os esgotos que a cidade manda para o mar, este devolve para a Praia de Iracema, pelo que os banhos estão aqui desaconselhados e proibidos. É uma praia desolada, como se mostra na imagem. É a vingança da Natureza.


O dia aconselha uma ida à praia. Por isso, há que apanhar um táxi até à Praia do Futuro, a qual ficou tristemente famosa pelo assassinato de seis portugueses, amando do também português Luís Miguel Militão. Este luso, condenado em 150 anos de cadeia, está agora a cumprir pena no Instituto Penal Paulo Sarasate, no Ceará. Neste estabelecimento prisional, Militão transformou-se num autêntico professor do crime. Na própria cadeia, coordena um gangue cada vez maior e mais perigoso, onde o tráfico de droga, roubos e sequestros, são por ele comandados a partir da cadeia. Como a sua vida tem sido um exemplo de mau caminho, está empenhado em escrever o seu próprio livro.


Da última vez que estive em Fortaleza, sentia-me numa cidade segura, sem ter que me acautelar mais que o bom-senso recomenda. Agora a situação está bem diferente, para pior. Como normalmente faço, comprei um jornal local para me informar como estava Fortaleza. A capa do “Diário do Nordeste” não deixa dúvidas: “Quatro mortos – guerra de gangues desafia Polícia”. Na mesma cidade, um jovem foi assassinado ao comemorar a (re)eleição de Lula da Silva. A violência está de tal maneira latente nesta cidade, que os gangues, sem mostrarem qualquer medo da Polícia, festejam com fogo de artifício quando assassinam algum membro dum gangue rival. Os moradores dos bairros mais problemáticos sentem-se reféns dos traficantes da droga. A exemplo do Rio de Janeiro e São Paulo, a cidade de Fortaleza já não tem a segurança de antigamente, infelizmente.


Mais uma vez, pus a minha curiosidade jornalística a funcionar. E, a caminho da Praia do Futuro, senti-me na obrigação de parar na ex-barraca do Militão, para registar o momento. Embora desaconselhado pelo taxista, lá tirei a fotografia a um local que jamais irá desaparecer da memória dos portugueses e dos cearenses. Chegado à praia, finalmente consegui usufruir de um belíssimo dia de Sol, acompanhado por cinco enormes seguranças contratados para garantir a tranquilidade daquele pequeno paraíso.


 


In “AURINEGRA”  -  09-11-2006  -  www.aurinegra.com


In “O DESPERTAR”  -  10-11-2006  -  www.odespertar.com.pt



 

publicado por José Soares às 18:16
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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2006

Mau tempo atinge Coimbra

MautempoatingeCoimbra.JPG



Embora sem o grau de gravidade que houve noutras zonas do país, Coimbra também sofreu os efeitos do mau tempo.


No Bairro António Sérgio (Eiras – Coimbra), várias garagens foram inundadas devido à quantidade de chuva caída e ao seu ineficiente escoamento. De um minuto para o outro, apareceu uma “garagem” debaixo da varanda de um rés-do-chão, devido à forte pluviosidade. Que mais irá acontecer a este esquecido e abandonado bairro de Coimbra?


in Diário de Coimbra  -  www.diariocoimbra - ??-11-2006

publicado por José Soares às 18:42
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Terça-feira, 7 de Novembro de 2006

Procurou sexo e levou um tiro

Procurousexoelevouumtiro.jpg



É comum dizer-se que muitos marinheiros têm uma “namorada” em cada porto. Não sei se a fama corresponde ao proveito, mas o certo é que os jovens marinheiros vão procurando aventuras sexuais nos portos por onde passam.


A história que aqui trago passou-se agora no porto de Leixões, em Matosinhos. Dois marinheiros do Leste, pertencentes a um barco norueguês, resolveram aproveitar uma folga comprando serviços sexuais em terras lusas. Procuraram uma casa especializada (a oferta é grande) na zona da Senhora da Hora, em Matosinhos. Em má hora escolherem este local. Lá dentro, duas especialistas na arte do amor por uma noite receberam-nos de pernas abertas. Uma loira de 20 e uma mulata de 22 anos, foram as profissionais de serviço. No meio de tanta emoção erótica, um deles só se apercebeu que a pulseira de ouro que trazia, tinha zarpado. Ao querer reaver tão valioso objecto, é surpreendido por um indivíduo a entrar de repente no seu quarto de amor e, sem mais conversa (possivelmente não saberia falar russo) dá-lhe um tiro na perna direita.


Não fosse a necessidade deste cidadão precisar de tratamento médico e o caso não seria noticiado pelo Jornal de Notícias (02/10/2006). Mas um tiro não deixa grandes alternativas, que não sejam o recorrer de imediato a um hospital. A coxear e acompanhado pelo outro amigo da aventura erótica, esperou por um táxi que o levasse ao Hospital S. João. Aí, através dum médico russo que também serviu de tradutor, é que a Policia Judiciária tomou conhecimento deste caso, que se calhar não será tão insólito como isso.


É um facto que as televisões não costumam trazer a público estes casos. Mas, quem está minimamente atento à nossa Imprensa, facilmente encontra histórias destas. É impressionante a facilidade com que se puxa por uma arma para alvejar alguém. Cada vez acho mais que é uma questão civilizacional, onde a Educação tem de ter um papel fundamental na educação e formação do indivíduo. É de pequenino que tem de se aprender alguns dos principais valores dos homens de amanhã. Só através da Educação se poderá aspirar a ter uma sociedade mais justa e humana.


A situação é de tal maneira preocupante, que o indivíduo que alvejou o homem do Leste, se vier a ser preso por este acto violento, rejeita a acusação dizendo que apenas lhe deu um tiro e nada mais. Como a Educação falhou com ele na sua formação inicial, esta violência gratuita se calhar sempre fez parte da sua vivência social, encarando-a como normal.


in "AURINEGRA"  -  ??-??-2006 - www.aurinegra.com 


in "O DESPERTAR"  -  ??-??-2006 - www.odespertar.com.pt 


 

publicado por José Soares às 18:36
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