Quinta-feira, 21 de Julho de 2005

Trabalhadores contra trabalhadores

Definitivamente, entrámos em campanha eleitoral. Melhor, entrámos em várias campanhas. Está no terreno a pré-campanha eleitoral autárquica e, há mais tempo, existe uma campanha de esclarecimento (?) sobre algumas das medidas do Governo.

Na imprensa escrita e principalmente na televisão, multiplicam-se os “debates” com os convidados do costume, a explicarem que muitas das medidas que o Governo Propõe têm que se tomadas, devido aos erros cometidos ao longo dos anos. O curioso é que alguns deles são exactamente os principais responsáveis das más medidas que foram tomadas, que puseram o País na situação actual, e que agora dizem ter achado a solução. Brilhante.

Uma análise cuidada desde o Governo de Durão Barroso até hoje, leva-nos a tirar facilmente uma conclusão: com mais ou menos responsabilidade, todos contribuíram para porem trabalhadores contra trabalhadores.

A título de exemplo, vejamos o que se passou no passado dia 19 do mês passado, no programa “Opinião Pública” da SIC Notícias. Ramiro Moreira, técnico de vendas em Leiria, de 56 anos, sobre o tema da greve da Função Pública, disse:

“"Muito boa tarde. Vou ser realmente muito breve. Só quero dizer aos funcionários públicos que tenham a noção exacta de que não tem que ser a sociedade civil a carregá-los às costas. Por outro lado, compreende-se que as únicas entidades que fazem greve são de facto todos de esquerda e toda a gente sabe que é o Partido Comunista. Também sabemos que os funcionários públicos ganham em média, não fui eu que disse, foi o ministro das Finanças Bagão Félix, ganham em média 1800 euros por mês. De qualquer das formas, eu devo dizer que para contrapor a esta manifestação de funcionários públicos, nós devíamos fazer uma contra-manifestação de funcionários privados, como forma de repudiar a falta de solidariedade por parte destes senhores, que julgam que o Estado é uma pessoa, quando o Estado não é uma pessoa. O Estado somos todos nós. Os funcionários públicos que recebem dos nossos impostos e portanto eles têm que ter consciência que eles têm os seus vencimentos dos nossos impostos e como tal eles têm que ter respeito por nós, porque não são mais do que nós em Portugal. Tenham paciência, mas tem que ser assim."

Não vou sequer rebater o que disse o Sr. Ramiro. Não adiantava, tal a desinformação de que é portador. Mas cabe ao Governo fazer um cabal esclarecimento sobre o que se passa de facto na Administração Pública e no Sector Privado. Apesar da tendência editorial que algumas televisões estão a fazer, o País precisa de saber a verdade. O Governo começou a fazê-lo. Pois bem, então que continue e esclareça tudo a todos nós, trabalhadores públicos e privados, reformados e desempregados. Esclareça-se toda a gente. É que custa muito a quem ganha pouco mais de 500 euros, ouvir alguém afirmar que a média dos seus vencimentos ronda os 1800 euros por mês!? Além de um perfeito absurdo, é mais um factor de desmotivação dos funcionários públicos. Destruir a Função Pública e os seus trabalhadores, não resolve os problemas da actividade privada e muito menos os graves problemas do País.

 

in "AURINEGRA" - 12-07-2005  -  www.aurinegra.com

publicado por José Soares às 23:50
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1 comentário:
De kalynka a 25 de Julho de 2005 às 12:59
Muitos Parabéns por mais um artigo seu, escrito com as palavras certas no momento certo e, como sempre, sabe bem sobre o k fala.
É assim...não vou rebater nem o k disse esse tal sr. pois não merece qq comentário; tb não vou escrever sobre o seu artigo mas por uma outra razão. Tudo o k escreveu está correctíssimo...não consigo encontrar palavras para argumentar, simplesmente concordar e dizer:
Continue...água mole em pedra dura, tanto dá até que fura! Esperemos para ver.


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