Terça-feira, 19 de Setembro de 2006

Níveis de segurança

Niveisdeseguranca.JPG


Há cerca de um mês, dia 10 de Agosto, estava eu a preparar-me para gozar o último dia em Nova Iorque.


Ainda bem cedo, sou despertado por uma pessoa amiga com a informação que tinha havido uma explosão no Aeroporto John F. Kennedy, em Nova Iorque. Precisamente aquele que eu teria que utilizar no final da tarde desse dia. Ligo a televisão do quarto do hotel, para perceber o que de facto se estava a passar.


Afinal não tinha havido qualquer explosão nesse aeroporto. O que aconteceu, isso sim, é que as autoridades inglesas tinham detido algumas pessoas, em Londres, que se preparavam para embarcar com destino aos Estados Unidos, para aí levarem a cabo atentados terroristas. Pus a minha curiosidade jornalística a trabalhar e, acompanhado pela namorada, resolvi dar uma volta pela cidade, para perceber como estavam a reagir os nova-iorquinos a mais uma ameaça terrorista.


Dias antes, tinha estado no World Trade Center, onde a azafama dos trabalhadores é grande, para levarem por diante a construção da Torre da Liberdade, que irá “substituir” as Torres Gémeas, destruídas a 11 de Setembro de 2001. Esta nova torre terá 541 metros de altura (antena incluída) e estará pronta em 2011 ou 2012. Enquanto os turistas paravam junto aos escombros do que foi um dos símbolos da América, para registarem o momento, os nova-iorquinos passavam por lá com uma grande naturalidade. Aquilo a que eles chamam “o nosso buraco”, não os faz alterar a rotina.


Um dos actuais símbolos de Nova Iorque – Empire State Building, é o edifício mais alto da cidade. Com ameaças reais de atentados, seria o último sítio onde as pessoas gostariam de estar. Era precisamente o local que eu gostava de visitar. Se assim o pensei, melhor o fiz. No meu último dia de visita a Nova Iorque, visitei o seu edifício mais alto. Coragem ou loucura? Nem uma coisa nem outra. Mesmo perante as ameaças mais graves, os americanos não estão na disposição de alterar os seus hábitos. O Empire State Building estava cheio de visitantes. Alguns americanos estavam lá, só para mostrarem que não tinham medo. Acho que fazem bem. Foi também isso que fiz, embora o meu objectivo fosse outro. Sentia-me a fazer uma reportagem.


Cada dia 11 de Setembro, não pode ser visto como um dia normal. Não é para nós portugueses, não é para os americanos e muito menos será para os nova-iorquinos. É uma data carregada de emoções, regadas pelas repetidas imagens da tragédia. É bom que o mundo não se esqueça, do que alguns seres humanos podem fazer a outros seres humanos. O ter estado lá, também me fez ver melhor o que teriam sofrido as pessoas que viveram tamanho choque. Muitos nem souberam que iam morrer, mas os sobreviventes irão continuar a sofrer até ao fim das suas vidas, por mais que se pense o contrário. Um trauma assim nunca mais sai da mente de quem o sofre. Quando um indivíduo sente a sua vida presa por um fio, não há nada que o faça esquecer. Só a própria morte apaga tão trágica recordação.


 


in "AURINEGRA"  -  14-09-2006 - www.aurinegra.com 

publicado por José Soares às 19:42
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1 comentário:
De kalinka a 25 de Setembro de 2006 às 19:07
Ora bem, gostei de ler estas palavras recheadas de «orgulho»:Pus a minha curiosidade jornalistica a trabalhar e, acompanhado pela namorada, resolvi dar uma volta pela cidade...
Está bela a foto junto à entrada do «Empire State Building». Eu, se estivesse lá à porta também o visitava, é como ir a Roma e não ver o Papa (que ironicamente a mim já aconteceu ter estado por 2 vezes na Praça de S.Pedro-Vaticano e não ter visto o Papa...mas).
Coragem ou loucura? Eu vou mais na hipótese da loucura (ehehehehe...) porque de Poeta e de louco todos temos um pouco.
Parabéns pela destemida decisão.
Beijos(cheia de inveja).


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