Segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

Fortaleza já não é o que era

Fortaleza-PraiadeIracema.JPG


O Sol irrompe cedo no quarto do hotel. São 5 horas da manhã e já está um dia cheio de Sol na Praia de Iracema, em Fortaleza, no Brasil. É o nordeste brasileiro no seu esplendor.


Do quarto, observa-se uma vista fabulosa sobre a praia, convidando os turistas ao seu pleno aproveitamento. Passear na praia pode ser. Tomar banho, nem pensar. Todos os esgotos que a cidade manda para o mar, este devolve para a Praia de Iracema, pelo que os banhos estão aqui desaconselhados e proibidos. É uma praia desolada, como se mostra na imagem. É a vingança da Natureza.


O dia aconselha uma ida à praia. Por isso, há que apanhar um táxi até à Praia do Futuro, a qual ficou tristemente famosa pelo assassinato de seis portugueses, amando do também português Luís Miguel Militão. Este luso, condenado em 150 anos de cadeia, está agora a cumprir pena no Instituto Penal Paulo Sarasate, no Ceará. Neste estabelecimento prisional, Militão transformou-se num autêntico professor do crime. Na própria cadeia, coordena um gangue cada vez maior e mais perigoso, onde o tráfico de droga, roubos e sequestros, são por ele comandados a partir da cadeia. Como a sua vida tem sido um exemplo de mau caminho, está empenhado em escrever o seu próprio livro.


Da última vez que estive em Fortaleza, sentia-me numa cidade segura, sem ter que me acautelar mais que o bom-senso recomenda. Agora a situação está bem diferente, para pior. Como normalmente faço, comprei um jornal local para me informar como estava Fortaleza. A capa do “Diário do Nordeste” não deixa dúvidas: “Quatro mortos – guerra de gangues desafia Polícia”. Na mesma cidade, um jovem foi assassinado ao comemorar a (re)eleição de Lula da Silva. A violência está de tal maneira latente nesta cidade, que os gangues, sem mostrarem qualquer medo da Polícia, festejam com fogo de artifício quando assassinam algum membro dum gangue rival. Os moradores dos bairros mais problemáticos sentem-se reféns dos traficantes da droga. A exemplo do Rio de Janeiro e São Paulo, a cidade de Fortaleza já não tem a segurança de antigamente, infelizmente.


Mais uma vez, pus a minha curiosidade jornalística a funcionar. E, a caminho da Praia do Futuro, senti-me na obrigação de parar na ex-barraca do Militão, para registar o momento. Embora desaconselhado pelo taxista, lá tirei a fotografia a um local que jamais irá desaparecer da memória dos portugueses e dos cearenses. Chegado à praia, finalmente consegui usufruir de um belíssimo dia de Sol, acompanhado por cinco enormes seguranças contratados para garantir a tranquilidade daquele pequeno paraíso.


 


In “AURINEGRA”  -  09-11-2006  -  www.aurinegra.com


In “O DESPERTAR”  -  10-11-2006  -  www.odespertar.com.pt



 

publicado por José Soares às 18:16
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1 comentário:
De kalynka a 2 de Dezembro de 2006 às 12:40
Ora bem, apenas hoje tive oportunidade de ler sobre esta sua vivência nas últimas férias no Nordeste Brasileiro...
Muito me admiro, pois a ideia com que fiquei da minha visita a Fortaleza, foi de uma cidade onde se podia andar em segurança, eu mesmo o fiz pela noite dentro, éramos 3 senhoras e, não sentimos qualquer vestígio de receio por aquilo que vimos à nossa volta.
5 anos passados e tudo piora...realmente já aqui me manifestei sobre o assunto, mas é como o MUNDO está a ficar, e não me parece que venham melhores dias nesse sentido.
Pois, assim sendo, não me ocorrerá voltar a Fortaleza, além de que é uma cidade bela, mas com esse grande problema em relação à Praia que «devia» ser frequentada pelos turistas que estão nos Hóteis bem de frente para ela...


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