Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

Espanhóis de olho no aborto em Portugal

Ainda agora foi aprovada a proposta de referendo sobre a despenalização do aborto e já há grandes movimentações para a possível legalização de clínicas da especialidade, com os espanhóis a tomarem a dianteira.


Precisamente no dia em que o Parlamento aprovou a referida proposta, já a conhecida clínica espanhola “Los Arcos”, através da sua directora Yolanda Hernandez Dominguez, anunciava que ia abrir uma Unidade para a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), independentemente do resultado do referendo. A própria Direcção-Geral de Saúde confirma ter sido já contactada por esta e outras clínicas da especialidade. A convicção da abertura da nova unidade de IVG por parte de Yolanda Dominguez, assenta na actual legislação, a qual já permite o aborto legal em três situações bem específicas: quando a mãe está em perigo, em caso de má formação do feto ou em caso de violação. Confirmando-se a abertura desta unidade de IVG, ela virá a empregar cerca de 40 pessoas, todas portuguesas.


À partida estas unidades privadas de saúde são de sucesso garantido. Por um lado, os hospitais não têm possibilidades para dar respostas às solicitações, caso o referendo opte pelo “sim” à despenalização do aborto até às primeiras dez semanas; por outro, os preços praticados na clandestinidade (500 a 600 euros) são superiores aos da clínica “Los Arcos”, em Espanha, onde os preços rondam os 325 e os 450 euros. Com a vitória do “sim” no referendo, que a acontecer será entre Janeiro e Fevereiro do próximo ano, nada justifica que se continue a recorrer à clandestinidade, onde os perigos são enormes. “Colocaram-me uma máscara com éter, mas não adormeci bem, foi um terror”, referiu uma utente do sistema clandestino existente em Portugal.


A clínica espanhola “Los Arcos” não tem perdido tempo. Os responsáveis desta unidade de saúde, já reuniram em Novembro de 2005 com o Ministro da Saúde, no sentido de o informar da criação de uma unidade de IVG em Lisboa. A sua construção já estará a ser feita e só depois de concluída é que será pedido o licenciamento às autoridades da Saúde portuguesas. Em termos de experiência, os espanhóis levam a dianteira. No país vizinho já existem 120 unidades do género, especialmente creditadas pelo Ministério da Saúde de Espanha.


Segundo os dados oficiais do próprio Ministério da Saúde português, em 2006 já foram atendidas seis mil mulheres nos nossos serviços de saúde públicos, devido a complicações provocadas por abortos mal feitos. Destes, cerca de cinco mil terão sido abortos auto-provocados pela utilização do Cytotec, medicamento destinado ao tratamento de úlceras gástricas, mas cujo efeito secundário é o de provocar o aborto. Os outros mil terão sido provocados por abortos mal feitos em sítios ilegais.


A favor do referendo votaram 177 deputados (PS+PSD+BE), 16 contra (PCP e Verdes) e abstiveram-se 15 deputados (CDS/PP). Quem também votou contra, foi Matilde Sousa Franco, independente eleita nas listas do PS por Coimbra. A partir de agora a situação está nas mãos do Presidente da República, que deverá promulgar o referendo, o qual, tudo indica, terá lugar em Janeiro ou Fevereiro.


Por tudo o que tenho visto e lido sobre o assunto, e tem sido muito, acredito que a mulher portuguesa será mais protegida se tiver a possibilidade de optar pelo aborto até às primeiras 10 semanas, em vez de recorrer a locais que são tudo menos unidades de saúde. Quem quiser faz, quem não quiser não faz. Caberá aos defensores do “não”, mostrarem que eu e muitos outros estamos do lado errado. Até lá, continuo a optar pelo “Sim”.


 


in Diário de Coimbra  -  www.diariocoimbra - 21-12-2006


 

publicado por José Soares às 18:11
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