Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Casamentos inter-religiões

 

A 11 de Novembro de 1947, Winston Churchill, que foi Primeiro-ministro do Reino Unido de 10/05/1940 a 27/07/1945 (tomou posse aos 65 anos) e voltou a sê-lo com 76 anos, de 26/10/1951 a 07/04/1955, proferiu na Câmara dos Comuns, uma frase que ficou célebre e ainda hoje é profundamente citada e defendida: “A democracia é a pior forma de governo, excepto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos”.
Vem novamente esta citação a propósito da intervenção do cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, ao surpreender o auditório do Casino da Figueira da Foz, no programa “125 minutos com Fátima Campos Ferreira” (13/01/2009), com a polémica frase dirigida às jovens portuguesas: “Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam”.
Apesar de dizer conhecer “casos dramáticos, sem os especificar, o cardeal patriarca de Lisboa não deveria estar à espera que as suas palavras provocassem tamanho “sarilho”, com a Comunicação Social a dar voz às mais diversas opiniões e leituras. As suas palavras ultrapassaram os presentes naquela tertúlia, ganharam dimensão nacional e continuam a despertar a atenção de muitos.
Foram muitas as análises que vieram a público. Algumas fizeram o papel de “juiz em causa própria”. Compreende-se, mas têm o valor que têm. Outras porém, não sendo parte interessada, poderão dar uma luz ao verdadeiro alcance das palavras de D. José Policarpo. Maria do Céu Pinto, professora de Ciência Política da Universidade do Minho, fez uma análise muito objectiva no JN de 15/01/09, da qual destaco o seguinte: “Um muçulmano que abandone a sua religião é considerado apóstata, ficando sujeito, segundo o direito muçulmano clássico, à pena de morte. A Sharia permite ao homem muçulmano ter até quatro esposas, independentemente da vontade da esposa, desde que possa dar a todas o mesmo conforto e atenção. O Alcorão instituiu o domínio do homem sobre a mulher. O Alcorão confere ao homem o direito de bater na mulher, se ela lhe desobedecer. Também pode proibi-la de trabalhar, forçá-la a usar o vestuário que ele quiser e obrigá-la a cumprir os seus deveres religiosos. (…) Segundo as leis muçulmanas, os filhos nascidos de um tal casamento devem obrigatoriamente ser muçulmanos, inclusive, no nome. A guarda das crianças no Islão está destinada aos homens. Se uma mulher não-muçulmana ou convertida viver num país muçulmano, onde as leis são mais favoráveis ao homem, terá muita dificuldade em fazer valer os seus direitos de mãe e esposa. O direito muçulmano proíbe qualquer sucessão entre muçulmanos e não-muçulmanos. Por outro lado, atribui às mulheres apenas metade dos bens que atribui aos homens”.
Esta análise é bastante esclarecedora. Perante ela, o alerta às jovens portuguesas do cardeal patriarca de Lisboa tem todo o sentido. É preferível pensar duas vezes (ou até mais), antes de se contrair casamento com alguém que pertence a uma outra religião (ou até etnia), sem que se conheçam bem as suas regras. Depois de se dar tão decisivo passo, às vezes é quase impossível voltar atrás.
Uma das virtudes da democracia, é poder-se emitir livremente as opiniões, por mais cáusticas que elas possam ser para algumas pessoas ou grupos. Por isso Churchill continua a ter razão sobre as democracias, apesar de já terem passado 61 anos. Sou um defensor acérrimo do direito à opinião livre e repudio qualquer forma de amordaçar esse direito fundamental em democracia, onde as opiniões se combatem com outras opiniões.
 
In Jornal: "CAMPEÃO DAS PROVÍNCIAS" - 29-01-2009

 

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publicado por José Soares às 15:32
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