Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

O meu Natal

   Apesar de nos últimos anos ter mudado um pouco a minha opinião, a verdade é que, no essencial, continuo a achar o Natal uma época de grande hipocrisia. Durante anos, tive de cumprir o ritual de passar a noite, com quem não tinha qualquer interesse, salvo raras excepções. Durante o ano, não havia esse convívio obrigatório, pelo que sempre considerei uma noite infindável. Pior do que eu, só os velhotes arrancados dos lares, quase à força, para que as respectivas famílias não ficassem mal vistas perante a sociedade.

   O Natal comemora o nascimento de Jesus Cristo. A história até é bonita e cheia de nobres sentimentos. Embora não se saiba com rigor o dia do nascimento do fundador do cristianismo, institucionalizou-se o dia 25 de Dezembro como o dia em que nasceu o Filho de Deus, isto na visão dos cristãos.

   Com o tempo e até por questões práticas, a árvore veio substituir o presépio. Quando era criança, o Natal tinha para mim outro significado e encanto. O meu pai, que até tinha jeito para a coisa, dedicava algum do seu tempo para que pudéssemos ter um presépio em casa, verdadeiro símbolo do Natal. Era uma satisfação as idas ao pinhal para apanhar musgo, elemento essencial no presépio lá de casa.

   Hoje, desconheço quem ainda se dá ao cuidado de fazer um presépio em casa. A alternativa está no pinheiro de Natal. Mas como cortar as árvores é prejudicial para a saúde da própria natureza, a alternativa são as chamadas árvores artificiais, tão divulgadas pelas casas chinesas. Estas têm uma vantagem: como são de fraca qualidade, não duram de uns anos para os outros, pelo que uma árvore nova está garantida todos os anos.

   Como disse no início, tenho alterado um pouco a minha opinião em relação a esta quadra, pelo que também eu, apesar da crise, comprei os meus presentes. Afinal o Natal é das crianças e agora tenho duas crianças lindíssimas para presentear: o meu filho Daniel e a minha neta Maria Inês. Claro que também a minha filha Liliana tem o seu presente, mas aos 30 anos, há muito que foi o encanto e magia de acreditar no Pai Natal.

   Este ano, mais uma vez, vou passar o Natal com as pessoas da família que mais gosto. Claro que há outros familiares e amigos com quem gostaria de partilhar a noite de consoada, mas o Natal também é um período de escolhas e privações.

A todos os leitores, direcção, jornalistas, colaboradores e funcionários do Despertar, os meus votos de um Bom Natal e um Feliz Ano Novo.

 

In Jornal "O DESPERTAR"  -  18-12-2009

publicado por José Soares às 12:00
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Futebolistas de pé descalço

   Quando falamos sobre a qualidade de vida que o futebol pode dar aos futebolistas, lembramo-nos logo da vida de luxo de vedetas como Cristiano Ronaldo, em confronto do que seria se não tivesse enveredado pelo futebol. Estava-lhe destinada uma vida de perfeito anonimato, privado de quase tudo e seguramente com carências de vária ordem, a exemplo dos seus pais e irmãos. O futebol permitiu-lhe dar a volta ao destino. Hoje a sua pública e faustosa vida é rodeada de dinheiro, casas, carros, festas, mulheres, viagens e férias. Nada lhe falta.

   O problema, é que enquanto uns, poucos, podem orgulhar-se daquilo que recebem do futebol, a maioria enfrenta grandes dificuldades, o que passa despercebido à maioria dos adeptos do desporto rei. No Varzim, por exemplo, é preocupante a vida dos futebolistas da sua equipa principal. A disputar a Liga de Honra e classificada em 14º lugar, o Varzim tem salários em atraso, destabilizando a vida dos seus jogadores. Segundo o capitão de equipa, Pedro Mendes, “há jogadores sem dinheiro para combustível ou para pagar prestações. É dramático”.

   Constata-se que há muita gente a ganhar com o futebol, mas também há muitos a sofrerem a triste realidade de futebolistas jogarem e não receberem. O país futebolístico anda anestesiado com as goleadas dos grandes e com o que vamos fazer no Mundial, e esquece-se ou pretende ignorar uma outra realidade, a dos pequenos. Às vezes parece que é mais fácil viver no mundo da ilusão, bem próprio da época que atravessamos.

   Como curiosidade, refira-se que o plantel do Varzim custa cerca de 50 mil euros mensais. Só Pablo Aimar, jogador do Benfica, recebe mensalmente mais do dobro dessa verba. O contraste entre ricos e pobres, também é uma realidade no mundo do futebol.

 

In Jornal "O DESPERTAR"  -  11-12-2009

publicado por José Soares às 12:00
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Centro comercial ou comércio tradicional?

   Como muitos portugueses, aproveito o dia de feriado, que a maioria nem sabe o significado dessa comemoração, para sair com a família e dar uma vista de olhos nas possíveis compras de Natal. A crise é grande, mas para a família faz-se sempre um esforço acrescido.

   A primeira hipótese é a baixa da cidade e uma auscultação ao comércio tradicional. O dia está desagradável. O frio e a chuva são uma constante. Andar a passear pela baixa nestas condições e com um bebé a fazer parte da comitiva, lava-me a escolher uma outra alternativa. Os preços do comércio tradicional tinham que ser bem convidativos, para levar a família a passear à chuva e ao frio, pô-los em contacto com cada vez mais marginais e ainda por cima ter que pagar um caríssimo estacionamento. Infelizmente, os comerciantes nada poderão fazer para inverter esta situação, para seu próprio mal e para injectar vida na baixa de Coimbra. Não é só de noite que a baixa está morta.

   A alternativa era um dos vários centros comerciais da cidade. Opto por um. Eu e milhares de outras pessoas. A confusão é geral, mas compreende-se. O local é aprazível, o ambiente é agradável, a temperatura acolhedora e chuva, nem pensar. Tudo está debaixo de telha e resguardado. Um outro aspecto também importante é que não se paga estacionamento. Claro que com as compras que a maioria faz, ele fica logo mais que pago, e essa é uma grande diferença para a baixa de cidade.

   Apesar da crise, as pessoas mostram-se felizes nas compras, nas muitas lojas existentes no centro comercial. Na maior parte dos casos, acabam por trazer muito daquilo que não pensavam comprar e, principalmente, não precisavam. Mas enfim, é difícil resistir aos profissionais do marketing dos centros comerciais. De facto, eles sabem fazer o seu trabalho. O que queremos mesmo está normalmente escondido; o que não precisamos, esbarramos a cada passo, não resistindo a meter para o carrinho. Aguenta cartão.

                        

In Jornal "O DESPERTAR"  -  04-12-2009

publicado por José Soares às 12:03
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