Sexta-feira, 13 de Outubro de 2006

Fazedor de filhos

Fazedordefilhos.jpg



Hoje em dia cada vez se torna mais difícil definir o que é normal. Apesar disso, ainda é considerado como fazendo parte da organização duma família, tradicional, um homem e uma mulher casarem, ou viverem em conjunto, e ter filhos. É aqui que começa o drama, dado que muitos são aqueles que tudo fazem para o conseguirem. Há quem sofra muito para conseguir ter um filho!


Conforme os países, assim são as regras. Se nalguns funciona a preservação do anonimato dos dadores de esperma, noutros é possível saber quem são esses beneméritos. Uns e outros têm argumentos para defenderem critérios tão diferentes. Há também aqueles que mudam de opinião. Foi o que aconteceu na Grã-Bretanha. Com a alteração das regras, havendo agora a possibilidade de se conhecer a identidade dos dadores, estes optaram por desistir de tão importante dádiva. A razão é simples: não querem correr o risco de, daqui a uns anos, aparecerem-lhes dezenas de filhos a baterem-lhes à porta. Desde 1991, já nasceram por este método 16 mil bebés. Agora, com esta mudança do sigilo na identificação dos dadores, as clínicas britânicas depararam-se com esta situação: perto de 70 por cento das 85 clínicas do país dizem já não ter esperma suficiente para fazer face a tão grande procura, por falta de dadores.


Perante uma situação tão grave e delicada para quem quer ter filhos e não pode, aparece um português (tinha que ser) que resolve o problema pelo “método natural”. Através do jornal “Tal&Qual” do passado dia 22 de Setembro, ficámos a saber que há um puro-sangue lusitano, “Paulo” (nome fictício), que por 2.500 euros (500 contos!?) por serviço, se dispõe a engravidar quem precisa. Este jovem de 29 anos, cuja profissão que tem é fazer filhos, garante sucesso logo à primeira. Para ele, a mulher não tem períodos férteis para engravidar. A garantia é assegurada pelas suas próprias qualidades, achando-se mesmo bom na arte de fazer filhos, dado que garante ter engravidado todas as suas namoradas. Como é um rapaz modesto, admito que tenham sido muitas e que é um indivíduo tão generoso, que se calhar a maioria nem queria engravidar. “Paulo” não quer saber muito sobre as suas clientes. Sabe que algumas são casadas e que até são apoiadas pelos próprios maridos, garante. Para ele, o importante é que cada cliente tenha 2.500 euros para pagar cada bombada deste povoador dos tempos modernos, um autêntico D.Sancho I do século XXI.


A legalidade deste fazedor de filhos também parece não lhe tirar o sono, dado achar que “não há nenhuma lei que proíba alguém de engravidar outro”. Para este técnico de fertilidade, não há qualquer responsabilidade sobre os eventuais filhos que já tenha feito!? A segurança deste indivíduo, vai ao ponto de pôr anúncios na imprensa, que não resisto aqui a citar, concluindo esta crónica na nossa sociedade; “Atenção, Senhoras que tenham dificuldade em engravidar. Jovem, bonito e viril, ajuda pelo método natural. Tel 916476270”.


Sem mais comentários.


in "AURINEGRA"  -  28-09-2006 - www.aurinegra.com 


in "O DESPERTAR"  -  06-10-2006 - www.odespertar.com.pt 

publicado por José Soares às 14:00
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Feira de vaidades


Tal como aconteceu há dois anos, reuniram-se algumas centenas de gestores e empresários portugueses, desta vez no Convento do Beato, em Lisboa, no seu auto-convencimento de terem a solução para a crise que atravessa o nosso País. Através dos seus pretensos altos conhecimentos, ficámos todos a saber que Portugal está mal e que estes conferencistas têm a solução.


Uma das propostas que estes sábios apresentaram ao País, é que tinham de sair 200 mil trabalhadores da Função Pública. Para estes empresários, da função privada, a solução passa pela redução da função pública. São propostas para a Função Pública, feitas por pessoas que sempre trabalharam na privada!


Também curiosa, é a proposta apresentada para a Segurança Social. Para estes detentores do saber, a solução é cada trabalhador passar a descontar para uma conta individual. Quer dizer: o Estado assegurava sozinho as despesas com os actuais reformados e para aqueles que estão à beira da aposentação!?


Tomando o exemplo destas duas brilhantes propostas, será sensato que o Governo não leve a sério esta feira de vaidades. Este encontro, tal como o anterior, limita-se a criar um palco para políticos desempregados e para outros que aspiram a ter alguma importância na vida política.


Trabalhando há cerca de 34 anos na Função Pública, fico surpreendido como é que estes encontros têm tanta cobertura na comunicação social. Apresentam propostas desprovidas de qualquer fundamento, não tendo a mínima aplicabilidade. Primeiro desaparece a Função Pública, depois o Estado e por fim o País.


Se estes gestores e empresários aplicassem estas brilhantes ideias nas suas empresas, talvez o País estivesse ainda pior. Ou será que as nossas empresas estão sempre a falir, precisamente porque temos esta qualidade de gestores no País? Se acreditam naquilo que propõem para os outros, porque razão temos cada vez mais empresários e menos empresas? O problema é que alguns deles já passaram pelo Governo e deixaram tudo menos saudades, tal foi a sua competência demonstrada.


Daqui a dois anos, provavelmente haverá nova feira de vaidades, para que estes candidatos a tudo, principalmente a algum protagonismo saloio, nos tragam mais uma mão cheia de nada com estas ideias brilhantes, que não se aplicam em Portugal nem em nenhum país deste planeta, como os próprios bem sabem. O objectivo destes encontros, e cada vez mais mostrarem-se uns aos outros, sem que isso contribua para o bem-estar do País.


Se o Governo e o País levassem por diante as ideias do “Compromisso Portugal”, seria certo que Portugal ficaria bem mais comprometido.


 


 in "DIÁRIO DE COIMBRA" - 08-10-2006 - www.diariocoimbra.pt

publicado por José Soares às 13:52
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