Sexta-feira, 1 de Julho de 2005

Justiça popular põe jovem em estado de coma

Aquilo que já é considerado normal no Brasil, começou agora também a ganhar dimensão em Portugal. Refiro-me evidentemente ao famoso “arrastão” que se passou em Carcavelos. Por aquilo que vi, ouvi e li, tenho muitas dúvidas que se tenham organizado tantos jovens, para cometer um único crime. Mas, independentemente do verdadeiro número, que seguramente foi elevado, a verdade é que o assunto preocupou toda uma população. Apesar da dimensão mundial que o assunto tomou, pior seria ignorar o problema.

Duma forma determinada, a extrema-direita veio para a rua manifestar o seu nacionalismo e, diga-se em abono da verdade, até colhe adeptos em bolsas mais revoltadas da nossa sociedade, as quais atravessam várias gerações. Nas palavras de um dos promotores da manifestação contra a violência, ficou a pergunta: “Sou racista por ter orgulho em ser português?”. São frases como estas que galvanizam aqueles que estão à espera que alguém dê o primeiro grito de revolta, para se poderem associar. O descontentamento é grande, pelo que estão criadas as condições necessárias para a demagogia florescer. Ignorar estas movimentações, pode ser perigoso. A História está cheia destes exemplos.

Se não forem tomadas medidas que tranquilizem a população, esta, naturalmente, revolta-se. Se as polícias não forem vistas com força para protegerem os cidadãos, estes organizam-se duma forma perigosa, de que as milícias populares são o pior exemplo, mas surgem para “resolver” uma situação de desespero.

Ainda recentemente, no Carvalhal – Grândola, um jovem de 19 anos foi brutalmente espancado por cerca de duas dezenas de indivíduos. Esse jovem encontra-se agora em estado de coma, encontrando-se internado no Hospital Garcia de Orta e, tanto quanto a GNR conseguiu apurar e divulgar, tudo foi originado pelo jovem ter furtado utensílios de pesca.

Diga-se o que se disser, a verdade é que temos um problema de violência juvenil instalada, que é preciso pôr cobro. Não defendo um Estado securitário, mas a verdade é que as nossas polícias devem ser motivadas a fazer o seu trabalho, o que não parece estar a acontecer.

 

in "AURINEGRA" - 30-06-2005  -  www.aurinegra.com

publicado por José Soares às 14:53
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2 comentários:
De J.Soares a 2 de Julho de 2005 às 13:31
Amigo Kalocas.
Só posso mesmo é concordar contigo. Estás a ficar cada vez mais incisivo. Ontem mesmo, no meu jantar da Tertúlia, alguém me perguntava: quem é o "Kalocas" que escreve no teu blogue? Mistério... Espero continuar a contar com os teus comentários e de todos aqueles que aqui queiram deixar as suas opiniões.


De Kalokas a 2 de Julho de 2005 às 03:40
Mandar alguém para o hospital não é propriamente fazer justiça. Mas nem a justiça consegue fazê-la. O sistema não só não faz justiça, como impede que cada um a faça. Permite assim, que exércitos de ladrões, vigaristas e criminosos continue a passear-se no meio dos honestos.
É lógico que, com a falta de bom senso das cúpulas do poder, aumente a criminalidade e a falta de honestidade. As vítimas dos vigaristas e ladrões percorrem mais quilómetros a caminho dos tribunais do que a darem a volta ao mundo, para depois não obterem justiça.
Os responsáveis políticos de vistas curtas, “cheios de preocupações sociais”, alheiam-se dos problemas relacionados com condições profissionais dos trabalhadores da justiça e forças de segurança, optando por as agravar. Por outro lado, em moldes propagandistas mostram-se preocupados com a humanização das cadeias. Prometem melhoramentos de condições das prisões. Anunciam a erradicação de situações humilhantes tal como a do uso do «balde higiénico».
Por muito grande que seja o encargo financeiro, um ministro devia ter vergonha de no Séc. XXI, quando as exigências burocráticas para obter uma licença de habitabilidade numa casa são imensas, utilizar um discurso político, para anunciar a intenção de por sanitas nas celas. Somos mesmo 3º mundo !!!


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