Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Um caso inacreditável no Simplex

 


Como tudo na vida, dificilmente se consegue encontrar a perfeição onde quer que seja. Ainda bem que assim é, para que o Homem continue a lutar para a conseguir, mesmo sabendo que isso é impossível. Nesta teoria, entra seguramente o famoso Simplex (programa de desburocratização da Administração Pública), sistema criado por este Governo e que tem por objectivo principal, facilitar a vida aos cidadãos.


Apesar do muito que ainda há a fazer, de certeza que muitos dos portugueses já beneficiaram desta simplificação administrativa, em situações que antigamente obrigavam os cidadãos a grandes perdas de tempo em filas intermináveis e onde, para desespero de muitos, tinham que se deslocar quase sempre uma segunda vez, porque faltava habitualmente um papel qualquer.


Como sempre, também aqui há pessoas que estão contra algumas variantes deste novo sistema. Por isso, é preciso explicar bem para que os cidadãos entendam os objectivos da generosidade de algumas medidas. Esperemos que isso não venha a acontecer à última iniciativa do Governo, chamada “Perdi a carteira”. Este novo balcão, a ser implementado em 2008 em todas as Lojas do Cidadão, vai permitir tratar do bilhete de identidade (BI), cartão da segurança social, de pensionista, de contribuinte, da ADSE, número do Serviço Nacional da Saúde e da carta de condução. E é sobre este último documento, a história que vou contar de seguida e para a qual não há explicação possível.


O caso que aqui trago, conta-se rapidamente e tive dele conhecimento através do Correio da Manhã de 13 de Agosto passado. Segundo esse matutino, um bracarense perdeu a sua carta de condução. Munido de toda a documentação achada necessária, dirigisse à respectiva Direcção Geral de Viação para que lhe fosse passada uma 2ª via da carta de condução. Após mais de uma hora de espera numa longa fila, finalmente foi atendido. Tudo estaria certo, não fosse a falta da fotocópia do seu bilhete de identidade. Mesmo pagando, pediu se era possível tiram-lhe a referida fotocópia nesse serviço, mas o funcionário que o atendeu disse-lhe que isso não era possível!? Tinha que ir à rua tirar a necessária fotocópia e voltar para o fim da fila!? Indignado com tanto zelo do funcionário, solicitou o livro de reclamações para exprimir a sua revolta. O livro foi-lhe facultado, mas, pasme-se, o funcionário pediu-lhe o bilhete de identidade para tirar uma fotocópia para juntar à queixa. Simplesmente inacreditável.


Seguramente que o funcionário estava a cumprir ordens. Mas, numa altura em que o Governo se esforça por simplificar a vida aos seus cidadãos, há serviços onde é permitido fotocopiar um BI para juntar a uma reclamação, mas não é permitido tirar a mesma fotocópia para juntar a um processo para passar uma 2ª via duma carta de condução. Não dá para entender.


Seguramente que já muito foi feito para facilitar a vida dos cidadãos. No entanto, é sabido que muito ainda há a fazer e este caso é um exemplo do longo caminho que ainda temos que percorrer para desburocratizar o nosso País.


 


In Jornal “DIÁRIO DE COIMBRA”  -  10/Outubro/2007


 


 

publicado por José Soares às 14:19
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