Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

Santana Lopes está aí

SantanaLopesnaSICN.jpg


Há muito tempo que Pedro Santana Lopes não tinha o seu momento de glória, após a sua frase “vou andar por aí”. Finalmente conseguiu-o, quando, numa recente entrevista para que foi convidado pela SIC-Notícias, sobre as passadas eleições directas para escolher o novo líder do PSD. Pelo que se viu, Santana Lopes está aí.


Pedro Santana Lopes tinha começado a falar há três minutos, quando a jornalista Ana Lourenço o interrompeu: “Dr. Pedro Santana Lopes tenho que o interromper durante um instante. Vamos já em directo para o aeroporto da Portela”. A razão da interrupção por parte daquela estação televisiva era óbvia: José Mourinho estava a chegar a Portugal. Era preciso ouvir em directo o que tinha a dizer ao país, quiçá ao mundo, o melhor treinador deste planeta. O que disse? Nada!


Para quem está mais por dentro destas coisas da Comunicação Social, sabe que quando se inicia um directo, nunca se sabe quando o mesmo é notícia. Claro que há também aqueles que acham que interromper o ex-presidente do Sporting para falar de futebol não é grave. Até nem seria se Santana Lopes fosse falar de futebol, o que não era o caso. Assim, é a futebolização do país, que tantos têm criticado, em especial José Pacheco Pereira, está instalada.


Para o crítico de televisão Eduardo Cintra Torres e perante o facto do ex-treinador do Chelsea nada ter dito, não teve dúvidas em afirmar: “Mourinho pode não ter dito nada de interessante quando chegou, mas Santana Lopes não diz nada de interesse há 30 anos”. Ainda bem que não é esse o caso do crítico, que faz o país parar para ler e ouvir as suas opiniões.


Sobre este caso as opiniões podem ser as mais diversas. Para mim, é completamente inconcebível que a chegada dum treinador de futebol ao aeroporto, qualquer que ele seja, seja motivo para interromper uma entrevista, para a qual foi convidado, dum homem que, pelo menos, já foi: presidente do Sporting, secretário de Estado da Cultura, Eurodeputado, presidente das Câmaras Municipais da Figueira da Foz e de Lisboa, presidente do Partido Social Democrata (PPD/PSD) e Primeiro-Ministro de Portugal. Se nada disto tem qualquer relevância na nossa sociedade, então o que é que tem? O futebol?


Estava longe de pensar em concordar com Santana Lopes. Mas perante o que lhe fizeram em directo e pondo de parte o “animal político” que continua a ser, não desperdiçando a oportunidade de fazer mais pela dignificação da política, do que fizeram os seus companheiros na disputa pela liderança do PSD, subscrevo a sua indignação e a sua atitude. “Acha que isto se justifica?” questionou o ex-Primeiro-Ministro. “Convidaram-me para vir aqui, falar destes assuntos importantes, eu vim com sacrifício pessoal, chego aqui sou interrompido por causa da chegada de um treinador de futebol. Acho que o país está doido”, disse Santana Lopes antes de abandonar o estúdio.


Não sei se a atitude de Santana Lopes irá mudar alguma coisa em próximas situações idênticas. Provavelmente até não, o que será uma pena. Já houve episódios semelhantes e pouco ou nada se alterou. Recordo Hermínio Martinho (na altura presidente do ex-PRD) na RTP em 2004 e Manuel Monteiro (presidente do PND) na RTPN em 2005. Aconteça o que acontecer a partir de agora, seguramente que Santana Lopes nunca teve tanta gente a apoiá-lo com esta pedrada no charco.


 


In Jornal “CAMPEÃO DAS PROVÍNCIAS”  -  03/Outubro/2007


 


 

publicado por José Soares às 14:48
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