Quinta-feira, 17 de Novembro de 2005

Sociedades secretas

Tudo o que é negativo, também tem o seu lado positivo. Isso também se aplica aos últimos acontecimentos ocorridos em França, em especial em Paris. Depois dessa violência sem limites, as autoridades francesas vão ter que enfrentar um problema que aparentemente estava escondido – a sua sociedade secreta. Pelas piores razões, o problema da imigração está na primeira linha das preocupações das entidades francesas. É nestas alturas que nascem os verdadeiros políticos. No caso do ministro Nicolas Sarkozy, morreu (politicamente, entenda-se) à nascença. Um cidadão comum pode dizer o que quer; um ministro tem de avaliar primeiro a consequência das suas palavras. Como tantos outros, foi mais um erro de casting.

O que se está a passar em França, veio alertar para a situação das classes mais desfavorecidas de todas as sociedades. Em todas as grandes cidades, existem bairros onde os seus habitantes estão condenados ao ostracismo. Só o facto de morarem nesses sítios, já os impede de ter uma vida normal. Bem longe disso. Até ao limite do possível, evitam dizer onde moram. E não se pense que isso só se passa em França ou em bairros de Lisboa e Porto. Bem mais perto, em Coimbra, isso também se passa. Se dúvidas houverem, perguntem aos taxistas se vão à noite aos bairros do Ingote e da Rosa, com o mesmo à vontade que se deslocam ao Calhabé ou aos Olivais. Esconder a realidade, não é boa política.

O problema das pessoas que moram em bairros desfavorecidos começa logo no nascimento. Só o facto de aí terem nascido, parece que os marca para a vida. Por isso, em vez de se utilizarem medidas repressivas desproporcionais a quem já tanto sofre, deve-se fazer exactamente o contrário. Apoiar quem mais precisa, é uma obrigação duma sociedade evoluída. Ver alguém singrar na vida vindo desses mal fadados bairros, é um exemplo e um estímulo para todos os outros jovens desfavorecidos.

Durante muitos anos, achou-se que criar bairros para pobres e outros excluídos da sociedade, era a melhor solução. Hoje, pensa-se exactamente o contrário. Nalgumas cidades, faz-se o inverso. Deitam-se abaixo esse tipo de bairros, onde existe uma grande concentração do mesmo tipo de problemas e necessidades, para espalharem essas pessoas pela cidade onde moram, fazendo assim uma verdadeira integração. Mesmo assim, há sempre alguém que parece ter nascido para armar confusão. Mas aqui as penalizações são duras, pelo que todos fazem um esforço para que tudo dê certo. O respeito é mútuo e as minorias não podem impor as suas leis à maioria. É a lei básica da democracia. Por culpa de alguns, não se podem penalizar os outros. Financeiramente até poderá ser complicado, mas socialmente é a opção mais indicada.

In "CAMPEÃO DAS PROVÍNCIAS" - 17-11-2005  -  www.campeaoprovincias.com  

 

publicado por José Soares às 14:08
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