Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006

Tempos difíceis para os trabalhadores

Para defenderem aquilo que acham justo, cerca de 25 mil funcionários públicos vieram para a rua mostrar o seu descontentamento, numa manifestação já excepcional nos dias que correm. Objectivamente, manifestaram-se contra o aumento salarial imposto pelo Governo de 1,5 por cento, o inexplicável aumento da idade da reforma e o congelamento das suas carreiras e escalões.

Como acontece há uns anos a esta parte, os trabalhadores do sector privado acham que os seus colegas do Estado deviam mas era estar calados, porque ganham bem, têm todas as regalias, reformam-se mais cedo e só lutam para manterem os privilégios. Apesar de todas as alterações já levadas a cabo desde 1993, continuam a pensar da mesma maneira. Nem que tirassem os ordenados aos funcionários públicos (já faltou mais), os trabalhadores da privada continuariam a pensar que mesmo assim ainda estão prejudicados.

Este é um assunto recorrente, que já vem do tempo de Durão Barroso. O actual presidente da Comissão Europeia, na altura em que era Primeiro-Ministro, conseguiu a proeza de por trabalhadores contra trabalhadores. Não querendo beneficiar as condições da privada, convenceu estes trabalhadores que era preciso acabar com os privilégios dos trabalhadores da função pública. Como vivemos num tempo em que o egoísmo impera, os privados foram levados a pensar: se não há nada para nós, então tirem o que puderam à função pública. Se não baixam a nossa idade da reforma, então aumentem a deles. É este sentimento inconcebível numa sociedade evoluída, que talvez explique a situação a que o nosso País chegou. A desgraça de uns, já trás algum conforto aos outros.

Nos tempos que correm, não é fácil ser trabalhador da privada. Mas também é muito difícil ser trabalhador do Estado. São lhes atribuídas condições e privilégios que os próprios rejeitam. A sua média salarial ronda os 500 euros, embora se diga muitas vezes que ganham 4 e 5 vezes esse valor. Para os próprios não deve ser fácil ouvir essas afirmações. Da mesma forma, também não deve ser fácil aceitar que depois de terem feito um contrato com o Estado, o Governo o altere sem qualquer negociação, impondo a muitos até 15 anos a mais do que aquilo que tinha sido acordado. Por tudo isso, não é difícil imaginar os tempos de revolta que aí vêm, que seguramente irá culminar em mais uma greve da função pública. Esperemos que o Governo saiba ouvir os seus próprios trabalhadores, de modo a que todos não sejam privados das suas funções. Enquanto não acabarem com todos os funcionários públicos (é isso que o Governo quer?), as suas greves ainda transtornam o normal funcionamento do País. Quando já não houverem funcionários públicos nos serviços do Estado, então aí possivelmente todos nós tomaremos disso consciência e talvez nos possamos empenhar em construir um país normal, europeu e evoluído, onde é possível haver trabalhadores em funções públicas e funções privadas. Somos um País com História, mas não podemos ficar agarrados a ela.


In "CAMPEÃO DAS PROVÍNCIAS" - 16-02-2006  -  www.campeaoprovincias.com  


 

publicado por José Soares às 14:14
link do post | favorito
2 comentários:
De J.Soares a 1 de Março de 2006 às 23:52
Obrigado pelo comentário. O facto de ser a "única" a comentar os meus artigos, acredite que não vejo qualquer mal nisso. Hoje mesmo estive a jantar com um grande grupo de amigos, que religiosamente os lêem embora não se sintam à vontade para fazerem comentários públicos. É a liberdade de cada um a funcionar. Quem quiser comentar....comenta; quem não quiser comentar...é bem-vindo na mesma.


De kalinka a 1 de Março de 2006 às 21:52
«TEMPOS DIFÍCEIS PARA OS TRABALHADORES» é o assunto dos últimos tempos...por isso, pouco ou nada tenho a acrescentar àquilo que publicou.
Concordo com tudo o que escreveu.
Mas, já me começo a sentir mal, por ser sempre a única pessoa a comentar os seus artigos...
Nada mais tendo a acrescentar, por aqui me fico.


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Abril 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


.posts recentes

. Feira Medieval em Buarcos

. A sorte e a crise não são...

. Parabéns: já só faltam ci...

. A minha aposentação não c...

. A minha aposentação não c...

. Um casarão sem alma

. Ano Novo Vida Velha

. Ano novo, políticos e víc...

. Hora de receber

. Hora de receber

. Função pública e função p...

. Função pública e função p...

. Futebol - um mundo à part...

. Reformas - pensão pública...

. Um casarão sem alma

. A Saúde e a Madeira

. Crimes sem perdão

. Fuga de cérebros

. Rotunda do Ingote

. Pregões de praia

. Tributar as heranças

. Ai Álvaro, Álvaro

. Misericórdia de Semide in...

. Cuidado com o bronze arti...

. I Feira Medieval em Buarc...

. Vamos andando

. José Soares em mini-entre...

. Visita a Cáceres

. Não há vergonha para o de...

. Boa vida para o setor aut...

.arquivos

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Junho 2008

. Março 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Março 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Junho 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

.tags

. todas as tags

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds